Canção
Pedro
A negação não foi a última palavra.
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Letra
Seu sangue se espalhou em meio à paisagem,
Que negro entardecer.
Morreu o meu Senhor, que grande covardia,
Jamais vou esquecer.
A cruz sombria não vai ofuscar
O brilho dos Seus olhos.
Perdoa-me, ó Mestre, o galo já cantou,
E eu neguei meu Salvador.
Tal qual a um cordeiro, Você morreu por mim,
Tão grande amor eu nunca vi.
Calou o Filho de Deus, que dura realidade,
Difícil de aceitar.
O amor prevaleceu e a voz da verdade,
Ninguém pôde calar.
A cruz sombria não vai ofuscar
O brilho dos Seus olhos.
Perdoa-me, ó Mestre, por ser tão fraco assim,
Chorei três vezes ao mentir.
Quisera que este cálice se afastasse de Ti,
Mas, mesmo assim, morreu por mim.
Sobre “Pedro”
Esta canção nasceu de uma pergunta que durante muito tempo permaneceu em minha mente:
Como teria sido para Pedro contemplar seu Mestre crucificado depois de tê-Lo negado três vezes?
Pedro havia declarado que jamais abandonaria Jesus. Entretanto, na noite da prisão, diante do medo e da pressão daqueles que o reconheciam como discípulo, ele negou três vezes que O conhecia.
A narrativa bíblica registra que, depois da terceira negação, o galo cantou. Naquele momento, Jesus olhou para Pedro, e Pedro se lembrou das palavras que o Mestre havia dito. Então saiu dali e chorou amargamente.
Lucas 22:54–62
É difícil imaginar o que Pedro deve ter sentido ao olhar para Jesus depois disso. O homem que havia prometido fidelidade estava agora diante da consequência de sua própria fraqueza. E, enquanto o Mestre caminhava para a cruz, Pedro carregava consigo o peso de tê-Lo negado.
É desse sentimento que nasce esta canção.
Pedro olha para o sofrimento de Jesus e reconhece aquilo que talvez naquele momento lhe parecesse impossível suportar: o Mestre que ele havia negado estava morrendo por ele.
Mas a história não termina na culpa de Pedro.
Depois da ressurreição, Jesus volta a encontrar Seu discípulo junto ao mar da Galileia. E então acontece uma das cenas mais profundas do Evangelho.
Jesus pergunta:
“Simão, filho de João, amas-me?”
Pedro responde que sim.
Jesus pergunta novamente.
E, pela terceira vez:
“Simão, filho de João, amas-me?”
A cada resposta, Jesus confia a Pedro uma missão:
“Apascenta as minhas ovelhas.”
João 21:15–17
É impossível não perceber a correspondência entre as três negações de Pedro e as três perguntas de Jesus.
A Escritura não afirma explicitamente que cada pergunta tenha sido feita como uma espécie de reparação individual para cada negação, mas essa correspondência dá à cena uma força extraordinária. Onde havia existido três vezes a palavra de negação, agora surgem três oportunidades para Pedro declarar seu amor.
E existe algo ainda mais surpreendente: Jesus não apenas pergunta se Pedro O ama.
Jesus lhe devolve uma missão.
Aquele que havia falhado é novamente chamado para servir.
Aquele que havia negado é novamente confiado às ovelhas.
Aquele que chorou amargamente diante de sua própria fraqueza descobre que sua história não terminou naquele momento de fracasso.
Talvez seja por isso que, ao escrever esta canção, eu tenha imaginado Pedro olhando para a cruz e dizendo:
“Perdoa-me, ó Mestre...”
Porque a cruz não representa apenas a dor causada pela injustiça dos homens. Para Pedro, ela também representa o amor daquele que continuou amando mesmo quando Seu discípulo falhou.
E quando Jesus ressuscitado pergunta três vezes “Tu me amas?”, talvez Pedro finalmente compreenda que o amor de Cristo é maior do que sua própria fraqueza.
A negação não foi a última palavra.
O perdão foi.
E a culpa não foi o fim da história.
A restauração foi.
Esta é uma das razões pelas quais a história de Pedro continua sendo tão humana e tão poderosa. Ele não é apresentado como alguém que nunca falhou. Ele falhou profundamente. Mas também descobriu que uma queda não precisa determinar o fim de uma vida.
Jesus ainda podia dizer:
“Apascenta as minhas ovelhas.”
Referências bíblicas: Mateus 26:69–75; Marcos 14:66–72; Lucas 22:54–62; João 18:15–27; João 21:15–19.