Estudos Bíblicos
Sempre aprendizes
Estudar as Escrituras Sagradas é uma caminhada que não termina.
Depois de tantos anos lendo a Bíblia, ensinando em classes de Escola Bíblica Dominical e preparando mensagens, continuo encontrando nela perguntas que me fazem parar, pensar e, muitas vezes, olhar novamente para mim mesmo.
Talvez seja essa uma das coisas mais bonitas da Palavra de Deus.
Voltamos ao mesmo texto anos depois e ele permanece ali. As palavras não mudaram. Mas nós mudamos. Carregamos experiências que antes não possuíamos, atravessamos alegrias e dores que ainda não conhecíamos e descobrimos que há muito mais para aprender do que imaginávamos.
Por isso, mesmo depois de tantos anos ensinando, gosto de me reconhecer primeiro como aprendiz.
Quando comecei minha caminhada cristã, havia algo que eu queria muito: conhecer Jesus Cristo.
Eu queria ouvir sobre Sua vida, Seu amor, Seus ensinamentos, Seu sacrifício. Mais tarde, quando passei a ensinar novos convertidos, reconheci nos rostos de muitos deles algo que um dia também estivera em mim.
E aprendi uma lição que nunca esqueci.
Antes de mostrar o quanto sabemos sobre a Bíblia, precisamos compreender quem está diante de nós.
Às vezes é alguém ferido.
Às vezes é alguém procurando respostas.
Às vezes é alguém que precisa simplesmente descobrir que ainda existe esperança.
E, muitas vezes, enquanto tentamos ensinar, descobrimos que também estamos aprendendo.
É com esse espírito que nasce esta área de Estudos Bíblicos.
Aqui não pretendo apresentar respostas para todas as perguntas nem transformar minhas reflexões em verdades que o texto bíblico não afirmou.
Quero abrir as Escrituras com você.
Primeiro, olhar para aquilo que está escrito.
Depois, procurar compreender seu contexto e aquilo que o texto nos permite entender.
E então perguntar, com sinceridade:
O que a Palavra de Deus provoca em nós?
Porque a Bíblia não é somente um livro de consolo.
Ela consola, mas também confronta.
Ela nos fala do amor de Deus, mas também nos faz olhar para a maneira como amamos.
Ela nos apresenta a misericórdia, mas também pergunta o que fazemos quando essa misericórdia alcança alguém além de nós.
Ela nos ensina sobre fé, mas também nos encontra nos dias em que nossa própria fé precisa ser fortalecida.
Por isso existe um cuidado que desejo preservar em cada estudo:
não precisamos fazer a Bíblia dizer mais do que diz para que ela fale profundamente à vida.
Haverá momentos em que estaremos explicando aquilo que o texto apresenta.
Em outros, estaremos refletindo sobre o que ele desperta em nós.
Quero que essa diferença permaneça clara.
Nossas experiências podem nos ajudar a fazer perguntas. Nossas lembranças podem nos aproximar de uma passagem. Nossa caminhada pode fazer com que percebamos algo que antes não havíamos percebido.
Mas a Palavra de Deus continuará sendo a Palavra de Deus.
E nós continuaremos sendo aprendizes diante dela.
Talvez você esteja começando agora a conhecer as Escrituras.
Talvez as leia há muitos anos.
Talvez ensine outras pessoas.
Talvez tenha chegado aqui carregando perguntas que ainda não conseguiu responder.
Seja qual for o seu momento, espero que possamos nos encontrar neste mesmo lugar: diante da Bíblia, com disposição para ouvir, compreender, refletir e aprender.
Depois de tantos anos como professor, existe uma cadeira da qual não pretendo me levantar.
A cadeira do aprendiz.
Porque, diante da grandeza de Deus e da profundidade de Seu amor, sempre haverá algo mais para conhecermos.
Somos pequeninos diante da grandeza de tudo o que Deus criou.
Mas Ele nos fez grandes ao nos amar.
E talvez passemos a vida inteira tentando compreender a dimensão desse amor sem jamais conseguir alcançá-la por inteiro.
Por isso continuamos.
Lendo.
Perguntando.
Aprendendo.
Sempre aprendizes.
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Uma entre cem — e ainda assim, preciosa
Lucas 15:1–7
A parábola da ovelha perdida
Ler o estudo: Uma entre cem — e ainda assim, preciosa